sábado, 24 de setembro de 2011

São Francisco, o "repetitor Christi"


O fascínio e o mistério da figura de S. Francisco reside em sua semelhança com o mistério e o fascínio de Jesus Cristo. Há tanto num quanto noutro algo de profundamente simples, transparente, nascivo, originário e convincente. Ambos constituem uma grande interrogação para todo homem verdadeiramente religioso. Ninguém pode subtrair-se ao Numinoso e Divino que se desprende de suas vidas. Evidentemente, para um cristão por maiores que sejam as semelhanças entre S. Francisco e Jesus Cristo nunca chegarão a esconder as infinitas diferenças que vigoram entre eles. Um é o Filho Unigênito e Eterno do Pai e o outro é, na expressão de S. Boaventura, um humilde repetidor de Jesus. '
Um constitui a realidade-fonte, outro a realidade-reflexo. São Francisco jamais quis seguir um caminho pessoal. Nunca buscou uma experiência nova. Propôs-se com todo empenho a imitar e a “seguir a doutrina e as pegadas de Cristo” ', o “totus Christus crucifixus et configuratus”.' Nele há “uma deliberada renúncia a toda originalidade”. Jamais antes e depois de S. Francisco assistimos no Ocidente a um tão apaixonado amor a Cristo a ponto de tentar imitá-lo nos mínimos pormenores, na letra e no espírito. Queria venerar e reproduzir todos os aspectos da vida e do mistério de Cristo, não apenas os humanos, como se sói repetir.' Jamais alguém dentro do Cristianismo logrou assimilar Jesus Cristo em sua vida como S. Francisco a ponto de trazer no corpo os sinais da Paixão e na alma as arras do Reino de Deus. Com acerto resume S. Boaventura o sentido do impulso de S. Francisco: “saciava toda a alma no seu Cristo e se entregava todo, de corpo e de alma, somente a ele”.

(Texto extraído do livro "Nosso Irmão Francisco de Assis", da Editora Vozes)

sábado, 17 de setembro de 2011

CONSELHO DO LAICATO DA PRELAZIA DE ÓBIDOS

 O encontro iniciou no dia 16 de setembro (sexta feira) com oração de abertura à luz da mensagem do Evangelho de São Mateus 5,13 - 16. A coordenadora dos leigos na Prelazia de Óbidos (Ana de Lourdes), de posse da palavra usou uma dinâmica para apresentação das Paróquias. Fez a apresentação da Assessora a senhora Mariza Lopes (Vice-Presidente do Conselho Nacional de Leigos do Brasil). Foi apresentado o tema que será estudado e discutido nesse conselho: "AGIR DOS LEIGOS A PARTIR DOS SINAIS DOS TEMPOS." O tema será trabalhado no método ver, julgar e agir. No primeiro momento, o tema foi visto à luz do método Ver.
Após essa reflexão, o grupão foi dividido em 07 subgrupos,   para discutir e apresentar a conclusão para a assembléia.
Neste sábado o encontro iníciou fazendo memória do dia anterior que foi olhar a realidade, o processo de mudança chamada de "mudança de época".
Crise do paradígma civilizacional.
Socialização dos grupos.
Grupo 1- A crise do Estado.
grupo 2- A crise d democracia.
grupo3-a crise da sustentabilidade.
grupo4-A crise do trabalho.
grupo 5- A crise no sitema de representações religiosa -A crise religiosa.



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O profeta e o seu Evangelho



Francisco teve com o Evangelho uma intimidade difícil de se compreender. Amava o Evangelho, mas ele não teria sido Francisco, se seu amor não tivesse desejado possuir o próprio livro.
A magnífica Bíblia da Idade Média, com os maravilhosos textos desenhados em elegantes letras, tinha para ele algo de sagrado. Já foi, de per si, um rito religioso, quando ele, com seus dois companheiros, entrou na pequena igreja de São Nicolau e lá abriu o livro sobre o altar. Manifesta-se aqui uma forma de respeito que, em nosso tempo, impregnado de obras tipográficas, se tomou impossível: o respeito pela palavra manuscrita.
Com isso, adquirem um sentido mais profundo certas ações aparentemente mágicas. Nas cartas que ditava, não permitia Francisco que se riscasse uma letra, mesmo que fosse um erro de ortografia. Recolhia com o mesmo respeito qualquer pedacinho de pergaminho que encontrava no chão.
Perguntaram-lhe, certa vez, por que tinha tanto cuidado até mesmo com obras de autores pagãos. A resposta tem um quê de surpreendente: “Porque nelas se encontram as letras que compõem o glorioso nome do Senhor”. Por umas cinco vezes insiste ele, em suas cartas, em que se devem guardar respeitosamente as palavras do Evangelho, onde quer que sejam encontradas.
Francisco sentia o alcance psicológico desse simbolismo. “Devemos cuidar de tudo que encerra Sua Palavra sagrada. Assim ficamos profundamente compenetrados da sublimidade do nosso Criador e de nossa dependência em relação a Ele”, escreverá mais tarde ao Capítulo de seus irmãos.
A verdadeira dificuldade de se compreender como Francisco lia a Bíblia, não se encontra na cultura medieval. O que é difícil compreender é o fato raro de a Bíblia ser lida aqui por um homem que era como ela o desejava. Ele não tinha necessidade dum comentário que a suavizasse. Com heróica abertura, Francisco aceitava o texto ao pé da letra, pois este já de há muito o havia empolgado. Talvez tenha ele, alguma vez, explicado a Bíblia de uma maneira por demais rigorosa - nunca, porém, branda demais.
Devemos perguntar se a concepção de Francisco a respeito da Bíblia ainda vale para nós. Em cada mudança religiosa na história, encontra-se o homem diante da pergunta: que é propriamente autêntico na Bíblia e que é que se conseguiu descobrir com o correr do tempo?
E em cada período são sempre os grandes cristãos que, da forma mais pura, reconhecem a autenticidade. Não se requer uma visão genial para se descobrir o que corrigir num texto ou apontar alguns cantos carcomidos numa estrutura eclesiástica antiquada.
Quando se trata, porém, de valores eternos, é absolutamente necessária uma visão de fé. Não é tão estranho que um homem como Francisco, que se afastara, por assim dizer, da própria cultura para viver o Evangelho até às últimas consequências - que este Francisco tenha descoberto algo que sobrepuja qualquer cultura. As grandes personalidades não estão à frente de seu tempo, estão acima dele.

(Texto extraído do livro "Francisco de Assis, Profeta de Nosso Tempo", Editora Vozes)

Frei Clodoaldo

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Francisco, Homo totus Evangelicus



            Francisco entrou na intimidade do Evangelho e percebeu-o puro e sem retoques. Por isso, a Igreja o chamará de Homo totus Evangelicus, quer dizer, que "se evangelizou" na totalidade do ser e na radicalidade das exigências. E mostrou, ao mesmo tempo, que o Evangelho, no seu todo, é algo possível de ser traduzido em vida.
            O próprio Papa, Inocêndo III, observara que a norma de vida da primitiva comunidade era por demais árdua para compor um programa de vida, mas a tempo foi advertido que não poderia declará-la impossível, pois declararia impossível o Evangelho de Cristo.
Para Francisco a afirmação do Papa significava a impossibilidade de seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois vinham eles retraçados, concretamente, nas páginas do Evangelho. Esta concreteza com que percebia o Evangelho fazia com que Francisco a ele recorresse com a simplicidade e a confiança de quem recorre a um “diretor espiritual”.
Com naturalidade, colocava os livros dos Evangelhos à sua frente e os abria, a esmo, encontrando exatamente a Palavra que lhe servia de resposta. Não argumentava, não discutia, não duvidava. Deus acabara de lhe falar. E feliz partia para executar as ordens que acabara de ler.
Assim fala Celano, na vida I (n° 92-93): que abrindo o Evangelho, pôs-se de joelhos e pediu a Deus que lhe revelasse qual a sua vontade. “Levantando-se, fez o sinal da cruz, tomou o livro do altar e o abriu com reverência e temor. A primeira coisa que deparou, ao abrir o livro, foi a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, no ponto em que anunciava as tribulações por que haveria de passar. Mas, para que ninguém pudesse suspeitar de que isso tivesse acontecido por acaso, abriu o livro mais duas vezes e o resultado foi o mesmo. Compreendeu, então, aquele homem cheio do espírito de Deus, que deveria entrar no reino de Deus depois de passar por muitas tribulações, muitas angústias e muitas lutas...”

(Texto extraído do livro "São Francisco Vida e Ideal, da Editora Vozes)
Frei Clodoaldo

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Salva o teu povo, abençoa a tua herança!" (Sl 27, 9)

 
Há grupos e pessoas que costumam gritar "a Amazônia é nossa", não para defender a incontestável soberania do Brasil sobre esta macroregião, mas para explorar até a exaustão as riquezas naturais e transformar a terra, as águas e as florestas em mercadoria, objetos de negócio. A família humana perde o direito de viver no lar que Deus criou. É expulsa da terra herdada dos antepassados.

Na região do Xingu, o projeto Belo Monte coloca em risco a vida de milhares de pessoas. Em 1º de junho de 2011, o IBAMA concedeu à empresa Norte Energia S.A. a Licença de Instalação (LI) para construção desta hidrelétrica e declarou que "concluída a análise técnica e elaborado o relatório, todas as quarenta condicionantes estão cumpridas".

Essa afirmação é uma afronta aos povos do Xingu, pois simplesmente não corresponde à verdade. As prometidas ações antecipatórias de saneamento básico em Altamira e Vitória do Xingu não foram realizadas. Providências de infra-estrutura absolutamente necessárias no campo da saúde, educação, habitação e segurança pública não foram tomadas. Trinta mil pessoas vivem o pesadelo de serem arrancadas de suas casas sem saberem para onde ir. Enormes áreas e plantações são desapropriadas em troca de indenizações irrisórias. Quem resiste é processado judicialmente. Anuncia-se pelos meios de comunicação que a barragem não afetará os indígenas, porque nenhuma aldeia será inundada. Acontecerá o contrário: aos povos da Volta Grande do Xingu será cortada a água.

Em Altamira, os aluguéis chegam a preços exorbitantes, provocando invasões de áreas urbanas e acampamentos em frente à Prefeitura. É o caos que se instala. A segurança pública é incapaz de debelar a crescente onda de violência. Os acidentes de trânsito se multiplicam de maneira assustadora. Os hospitais estão superlotados. As escolas nem de longe conseguem atender à nova demanda de vagas.

O Governo Federal nega o diálogo, oculta informações, aposta na política do "fato consumado" e passa, qual rolo compressor, por cima da população.

Manifestamos nossa solidariedade com os povos do Xingu e denunciamos a falta de sensibilidade das autoridades governamentais que não se deixam comover pelo grito de milhares de pessoas angustiadas.

Ainda nutrimos a esperança de que o bom senso vença a insanidade de um projeto tão pernicioso para a população e o meio-ambiente e suplicamos ao bom Deus: "Salva o teu povo, abençoa a tua herança!" (Sl 27, 9). Que Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da Amazônia, interceda pelos irmãos e irmãs do Xingu!

Belém, 2 de setembro de 2011

D. Jesus Maria Cizaurre Berdonces
              Presidente
                                              
D. Frei Bernardo Johannes Bahlmann
Vice Presidente

D. Flávio Giovenale
Secretário



BJETIVO DA CNBB

“Evangelizar, a partir de Jesus Cristo na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangelização opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo.”
(cf. Jo 10,10)

DIRETRIZES - PONTOS ORIENTATIVOS DO REGIONAL NORTE 2
Quadriênio 2011 - 2015

À luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, o Regional  Norte 2, assume as seguintes orientações:

1 - A ação evangelizadora a serviço da vida plena, desde a concepção até a morte natural na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, combatendo as estruturas de morte, no campo e na cidade. (cf. DAp 347-379 e 464-475)

2 - A iniciação à vida cristã é caminho para a formação integral e permanente dos agentes de evan­gelização, “discípulos missionários”, em todos os níveis, a fim de que atuem, conscientemente, na Igreja e no mun­do (cf. DAp cap. VI) (cf. DA 184-224) - (ref. doc. Manaus nº 48 a 50)

3 - A participação efetiva dos cristãos leigos (as) nos ministérios, serviços e organismos eclesiais e sua atuação na vida política e social, à luz das orientações da Igreja, expressam e realizam seu protagonismo. (ref. Doc. Christifideles Laici nº 42, doc. 62 da CNBB nºs 191 e 193 - cf. DAp 209-215 e cap. IX e X)

4 - As Comunidades Eclesiais de Base são sinais da vitalidade da Igreja Povo de Deus, Corpo de Cristo, tenham abertura necessária para acolher pastorais, movimentos e gru­pos promovendo a comunhão. (doc. 94 nº 60)

5 - O protagonismo juvenil é fundamental no processo de evangelização da juventude, fortalecendo sua participação nas diversas organizações e no conjunto pastoral da Igreja. (cf. da 442-445)

6 - As paróquias sejam redes de comunidades atentas à realidade urbana/rural, à luz do Evangelho, buscando respostas pasto­rais aos desafios da restauração da justiça, da reconciliação e da paz. (cf. DAp. 509)

7 - O espírito missio­nário, a serviço do Reino, seja fomentado com decisão, coragem e criatividade.
Recomendações para o planejamento Pastoral.


1 - Formação dos leigos:

- Aumentar o número de vagas para a formação dos leigos.
- Incentivo maior e convite direcionado aos leigos para participarem das formações.
- Repensar o estilo da formação e rever como estão sendo preparadas as formações dos leigos e avaliar os trabalhos de Evangelização, trabalhando uma “nova evangelização” criando entusiasmo /motivação, animação, principalmente na catequese.
- Aprimorar a formação sobre o tema da missão.
- Qualificar a formação nas duas vertentes: teoria e prática.
- Que a formação dos leigos seja prioridades de fato (dinheiro, tempo, recurso humano e materiais) e descentralizada.
- Que cada Diocese ou Prelazia tenha o seu projeto de formação com base em 3 dimensões: pessoal, eclesial e social, e que de fato o execute, possivelmente com a ajuda do IPAR.
- Presença do Regional no acompanhamento dessas formações.


2 - Presenças dos leigos

- Implantação e fortalecimento do Conselho dos Leigos nas dioceses.
- Integrar as pastorais para desenvolver trabalhos coletivos.





sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Novo Estado

O número maior ou menor de estados numa federação nacional não empobrece o país, pelo contrário, com mais estados num país com 195 milhões de habitantes, diminui a desigualdade de distribuição de renda e pode, facilitar a participação da sociedade civil na administração
do patrimônio comum da nação. O argumento do senador Suplicy, de São Paulo é falacioso, de que não será justo dois novos pequenos estados terem tantos senadores e deputados federais, tirando o domínio político/econômico de São Paulo.
Belém também não tem razão para ser contra os dois novos estados, a não ser pelo mesquinho interesse de quem sempre usufruiu da ideologia do Centro/Periferia, quando a arrecadação do Estado do Pará, sempre foi aplicada em maior parte  na estrutura da capital, em detrimento
dos municípios mais distantes. Uma coisa é puro separatismo, motivado por litígios, outra coisa é a emancipação, ato que sustenta a maturidade de uma região para caminhar com seus próprios pés.
Dizer que os dois novos estados não têm viabilidade econômica para se sustentar, é tapar os olhos com peneira. Afinal, as maiores riquezas naturais do Pará estão exatamente nas regiões sul e Oeste: minerais, florestas, rios, turismo, cultura, populações. Mais de um milhão de
habitantes em cada uma das duas regiões. O que pleiteiam é emancipação, caminhar com seus próprios recursos, construindo sua própria história. Assim fizeram o Amazonas a seu tempo, quando se emancipou da Província do grão Pará, e assim também Amapá, Roraima, sem que morressem de inanição, ou até hoje estivessem dependendo dos recursos do tesouro nacional.
Falso é também o argumento de que os dois novos estados teriam gastos insuportáveis à nação. Hoje o tesouro nacional é generoso às obras do Programa de aceleração do crescimento econômico, o PAC e ninguém reclama. Mesmo sabendo que tais gastos são em sua maioria para atender aos interesses do grande capital, para exportar as riquezas da Amazônia, pelos oceanos Atlântico e Pacífico, para os  ricos mercados asiáticos, europeus e norte americanos. Ninguém reclama que os cofres do Banco Nacional de desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES estejam jorrando fortunas em função da Copa do mundo e dos jogos olímpicos de 2016. O Senador paulista e  a senadora alenquerense não questionam tais gastos nacionais.
Criar o Estado do Tapajós é uma necessidade para a possibilidade de desenvolvimento dos povos da região, até hoje fadada ao atrazo, como colônia de saque do sul e do capital estrangeiro. Basta ver as grandes empresas aqui presentes, Cargill, ALCOA, MRN, Serabi, Golden, Vale, Caulin/celulose de Monte Dourado, entre outras. Levam as riquezas e deixam os buracos e a destruição da natureza. Os grandes desafios para o novo Estado do Tapajós são mais internos que externos à região. São eles: A despolitização da sociedade civil;
O jogo de interesses da elite econômica de visão curta; A fome de poder de políticos oportunistas; A pretensão visível de Santarém ser capital; O primeiro desafio, se não for superado com muitos seminários promovidos pelos formadores de opinião, igrejas, sindicatos, associações para que a sociedade assimile o significado de uma nova constituição, de preparação de novas lideranças comprometidas e competentes, o risco será de ela não tomar parte ativa na construção da coisa pública; não se pode esperar para depois do plebiscito, é
preciso logo ao mesmo tempo, que se motiva o voto do SIM, se promova a compreensão da verdadeira democracia do Nov Estado. O segundo desafio é muito perigoso. A elite econômica tem manifestado visão oportunista e míope. Olha o que pode lhe trazer vantagens
imediatas. Por isso, hoje aplaude os projetos das mineradoras, das empresas forasteiras que invadem a frente da cidade de Santarém, destruindo praias, instalando armazéns. A elite econômica vê desenvolvimento, onde só acontece crescimento econômico de poucos e
lhes sobra migalhas para seus cofres. Isso é muito ruim para o novo Estado porque é uma visão corporativista e ignora o bem comum da sociedade. O terceiro desafio é superar a fome de poder dos políticos profissionais que até hoje nada têm feito para implantar políticas públicas urgentes para o bem estar da população. A safra que se tem hoje é muito pobre de espírito público, pobre de cidadania. Basta ver a pobreza das administrações municipais da região, basta acompanhar a ausência de deputados e senadores paraenses na defesa da soberania do Estado.  Nenhum se levanta contra a lei Kandir que extorque os cofres do Pará, com a isenção de impostos de exportação, nenhum se levanta contra os projetos federais de construir monstros hidrelétricos nas bacias do Xingu, Tapajós e Jari. Se se deixar a construção do novo
Estado só nas mãos dos políticos profissionais, eles farão o que os políticos de Tocantins e de Roraima fizeram de seus novos estados. Hoje eles dominam lá como suas capitanias hereditárias. É urgente se criar cursos de administração pública, de política para que surja nova
geração de políticos, “ficha limpa” e competentes. Por fim, um desafio a mais, a ser superado, a capital do novo Estado. Uns dizem que não se deve preocupar com isso agora, porque se o SIM
ganhar ainda se terá mais uns 5 a 8 anos até a constituição do novo Estado. Falsa estratégia. A construção do estado do Tapajós não é como uma escada a ser escalada, um degrau, depois o outro. E Santarém, precisa levar em conta que outros municípios também podem ser a
capital. Por isso, muitos habitantes da periferia geográfica, como Faro, Trairão, Novo Progresso, os municípios ao longo da Transamazônica provavelmente não olham com bons olhos essa sem
cerimônia dos mocorongos anunciarem Santarém com naturalmente A Capital do Tapajós. Isso pode até ser um motivo para desinteresse com a luta pelo Novo Estado. É preciso sim se admitir que outra cidade pode ser a capital sem detrimento da cidade de Santarém. Pode ser
Rurópolis, geograficamente mais central, por que não? Finalmente, como se quer mesmo o novo Estado para ser realmente novo? Algumas pistas podem ser explicitadas:
Uma sociedade civil participativa, consciente, com direito inclusive a referendos em casos de decisões que envolvam os direitos da maioria; com conselhos estaduais com participação direta de representantes da sociedade civil dos pólos estaduais e que sejam conselhos deliberativos, com maioria de membros da sociedade e não do poder público;
Uma constituição cidadã, construída em amplos seminários nos diversos municípios do novo Estados. Que leve em conta priorização de políticas públicas.

Pe. Edilberto Sena

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Irmãs Missionárias Realizam Ação Social


Desde que chegaram à Prelazia de Óbidos em março deste ano as irmãs missionárias (Congregação Franciscana da Ação Pastoral), Ercília Aparecida, Ruth da Silva e Ivaldete Rodrigues, tem acompanhado Famílias carentes do Bairro Perpétuo Socorro. As missionárias relatam que pelo fato da cidade estar crescendo muito e de forma desordenada o principal problema enfrentado por esses moradores é a falta de saneamento básico, a maioria dessas pessoas, migraram da zona rural para a cidade em busca de melhores condições de vida, mais a falta de emprego mostra uma realidade típica de muitas cidades do país que crescem sem planejamento urbano, aumentando a pobreza.
As irmãs já visitaram mais de 200 famílias, prestando serviço de assistencial social, como distribuição de cestas básicas para as famílias mais necessitadas contribuíram para a implantação de um grupo da pastoral da criança que acompanha crianças em situação de risco e com problemas de saúde, orientação religiosa, uma vez que a grande maioria das pessoas não é batizada, não fizeram primeira eucaristia, crisma ou sacramento do matrimonio. É um trabalho muito difícil mais as irmãs acreditam que se for feito ainda que seja lento no futuro vai render bons frutos, o que não podem é desanimar, pois muitas famílias vêem nessas missionárias um sinal de dias melhores.
Segundo Ir. Ercília, o que mais chama a atenção é a alegria com que as pessoas recebem as visitas nas suas humildes casas, sempre sorrindo, alegres, ate mesmo quando não tem o que comer, e quando tem sempre oferecem um pouquinho para os visitantes. “Não precisamos levar Deus a essas pessoas, pois elas já têm Deus nas suas vidas e em seus corações, o sinal divino é visível, o que precisam é um lugar digno para viverem e serem felizes acrescentou à missionária”.
Hoje o grande sonho das irmãs é que está área que é conhecida como baixa funda, antigo lixão, no futuro seja constituída mais uma comunidade da igreja católica com uma igreja, barracão grupos e pastoras. Esse sonho é compartilhado com o Bispo Dom Bernardo, que sempre apóia o trabalha das irmãs missionárias. 














Francisco Garcia (PASCOM)