Há grupos e pessoas que costumam gritar "a Amazônia é nossa", não para defender a incontestável soberania do Brasil sobre esta macroregião, mas para explorar até a exaustão as riquezas naturais e transformar a terra, as águas e as florestas em mercadoria, objetos de negócio. A família humana perde o direito de viver no lar que Deus criou. É expulsa da terra herdada dos antepassados.
Na região do Xingu, o projeto Belo Monte coloca em risco a vida de milhares de pessoas. Em 1º de junho de 2011, o IBAMA concedeu à empresa Norte Energia S.A. a Licença de Instalação (LI) para construção desta hidrelétrica e declarou que "concluída a análise técnica e elaborado o relatório, todas as quarenta condicionantes estão cumpridas".
Essa afirmação é uma afronta aos povos do Xingu, pois simplesmente não corresponde à verdade. As prometidas ações antecipatórias de saneamento básico em Altamira e Vitória do Xingu não foram realizadas. Providências de infra-estrutura absolutamente necessárias no campo da saúde, educação, habitação e segurança pública não foram tomadas. Trinta mil pessoas vivem o pesadelo de serem arrancadas de suas casas sem saberem para onde ir. Enormes áreas e plantações são desapropriadas em troca de indenizações irrisórias. Quem resiste é processado judicialmente. Anuncia-se pelos meios de comunicação que a barragem não afetará os indígenas, porque nenhuma aldeia será inundada. Acontecerá o contrário: aos povos da Volta Grande do Xingu será cortada a água.
Em Altamira, os aluguéis chegam a preços exorbitantes, provocando invasões de áreas urbanas e acampamentos em frente à Prefeitura. É o caos que se instala. A segurança pública é incapaz de debelar a crescente onda de violência. Os acidentes de trânsito se multiplicam de maneira assustadora. Os hospitais estão superlotados. As escolas nem de longe conseguem atender à nova demanda de vagas.
O Governo Federal nega o diálogo, oculta informações, aposta na política do "fato consumado" e passa, qual rolo compressor, por cima da população.
Manifestamos nossa solidariedade com os povos do Xingu e denunciamos a falta de sensibilidade das autoridades governamentais que não se deixam comover pelo grito de milhares de pessoas angustiadas.
Ainda nutrimos a esperança de que o bom senso vença a insanidade de um projeto tão pernicioso para a população e o meio-ambiente e suplicamos ao bom Deus: "Salva o teu povo, abençoa a tua herança!" (Sl 27, 9). Que Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da Amazônia, interceda pelos irmãos e irmãs do Xingu!
Belém, 2 de setembro de 2011
D. Jesus Maria Cizaurre Berdonces
Presidente
D. Frei Bernardo Johannes Bahlmann
Vice Presidente
D. Flávio Giovenale
Secretário
BJETIVO DA CNBB
“Evangelizar, a partir de Jesus Cristo na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangelização opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo.”
(cf. Jo 10,10)
DIRETRIZES - PONTOS ORIENTATIVOS DO REGIONAL NORTE 2
Quadriênio 2011 - 2015
À luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, o Regional Norte 2, assume as seguintes orientações:
1 - A ação evangelizadora a serviço da vida plena, desde a concepção até a morte natural na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, combatendo as estruturas de morte, no campo e na cidade. (cf. DAp 347-379 e 464-475)
2 - A iniciação à vida cristã é caminho para a formação integral e permanente dos agentes de evangelização, “discípulos missionários”, em todos os níveis, a fim de que atuem, conscientemente, na Igreja e no mundo (cf. DAp cap. VI) (cf. DA 184-224) - (ref. doc. Manaus nº 48 a 50)
3 - A participação efetiva dos cristãos leigos (as) nos ministérios, serviços e organismos eclesiais e sua atuação na vida política e social, à luz das orientações da Igreja, expressam e realizam seu protagonismo. (ref. Doc. Christifideles Laici nº 42, doc. 62 da CNBB nºs 191 e 193 - cf. DAp 209-215 e cap. IX e X)
4 - As Comunidades Eclesiais de Base são sinais da vitalidade da Igreja Povo de Deus, Corpo de Cristo, tenham abertura necessária para acolher pastorais, movimentos e grupos promovendo a comunhão. (doc. 94 nº 60)
5 - O protagonismo juvenil é fundamental no processo de evangelização da juventude, fortalecendo sua participação nas diversas organizações e no conjunto pastoral da Igreja. (cf. da 442-445)
6 - As paróquias sejam redes de comunidades atentas à realidade urbana/rural, à luz do Evangelho, buscando respostas pastorais aos desafios da restauração da justiça, da reconciliação e da paz. (cf. DAp. 509)
7 - O espírito missionário, a serviço do Reino, seja fomentado com decisão, coragem e criatividade.
Recomendações para o planejamento Pastoral.
1 - Formação dos leigos:
- Aumentar o número de vagas para a formação dos leigos.
- Incentivo maior e convite direcionado aos leigos para participarem das formações.
- Repensar o estilo da formação e rever como estão sendo preparadas as formações dos leigos e avaliar os trabalhos de Evangelização, trabalhando uma “nova evangelização” criando entusiasmo /motivação, animação, principalmente na catequese.
- Aprimorar a formação sobre o tema da missão.
- Qualificar a formação nas duas vertentes: teoria e prática.
- Que a formação dos leigos seja prioridades de fato (dinheiro, tempo, recurso humano e materiais) e descentralizada.
- Que cada Diocese ou Prelazia tenha o seu projeto de formação com base em 3 dimensões: pessoal, eclesial e social, e que de fato o execute, possivelmente com a ajuda do IPAR.
- Presença do Regional no acompanhamento dessas formações.
2 - Presenças dos leigos
- Implantação e fortalecimento do Conselho dos Leigos nas dioceses.
- Integrar as pastorais para desenvolver trabalhos coletivos.